MOLHADAS IMAGENS (WET IMAGES)
- Feb 2
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Back to the summer, wet images.
MOLHADAS IMAGENS
farol de pecados
fantasmas amados
almas sombrias
brumas e odores de minhas madrugadas
doces pedaços
de vida
de linho
de sonho
poros abertos
quentes, suados
cheiro gostoso de corpos salgados
mariposas semánticas
e cabelos lavados
EU FUI
um tempo
entrecortado na nevoa
pontos
lápide
e servidão
Eu fui...
meu próprio vagão
lúgubre espaço
por onde um lenço branco
gritava a Deus
Eu fui...
a onda
que sorveu a seca face de Netuno
A outra,
não, não fui eu
ela é a vida
que escorre em minhas mãos
A outra,
não, não sou eu
ela é o cristal
que agora me enfeita os pulsos
Da outra,
sou essa penumbra
franja
nas janelas dos dias
Vinho de sua taça,
sou este banquete de Evas...
INDECISÃO
Cresci silvestre no oceano
Estrangeira sem nome
água e éter
vida...
Na terra,
poemas de barro.
(On the ground,
muddy poems).
CIRANDA
habitante de raiz
fincando estrelas,
jogo
no mapa, latitudes
se rasgam
combustão de hipóteses:
pólvora
no útero das ruas
luas de musgo
se acasalam
UBÍQUO
Em Los Angeles,
agora, a lua se
remove, como em
Lima, noutra hora,
ou em Dresden,
Oslo, ou Tel-Aviv
A órbita de móbiles
se esgarça
raios tecem malhas,
enquanto
palavras – como pausas
se consumam
ficção que a lã
acolhe para o tato
outono que os pardais
preservam
espúria, a raiz que
cobre a noite – a
quem pertence?
Involuntário tigre,
que o pincel, no breu,
reconhece.
Poemas de Chico Araujo (chico.araujo2@yahoo.com.br)
P R Ä E L E D I U M
a bandeira de improviso
é às vezes errância
para teu princípio
mas o excesso
de chaves e modelos,
também laico e infinito
é teu, como
um plural de luas –
luminescências órficas
onde
- nenhuma susto –
te prepara
RELÂMPAGOS
I
tarda um pingo
de nada acontecer
adianta
fome de assonâncias, eco
no precipício, harpa
de tocar o nome
filtrar o espectral
início
II
antecipa o dia
narrativo
um tanque de carpas
descontínuas?
III
aqui se embarca,
mas nao é viagem
um sol de incêndios
cobre todo o esquadro
raio amarelo na rua
concebê-lo?

ESPASMO
estrela da manhã
espasmódica manhã
quando
edifico
a pedra
ao sol
cantares e solares otomanos
ardente o grão de areia
no abrigo da ampulheta
irrefletida voz que uma luz qualquer
apagará
num espasmo
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dark
flight
Poemas de Carmen Silvia Presotto (carmen@vidraguas.com.br, Projeto Cultural Vidraguas)




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